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MCP: o que é o Model Context Protocol? Como criar um?

Entenda o que é o MCP (Model Context Protocol), como funciona, quais os componentes de um servidor, o passo a passo para criar o seu e os cuidados de segurança.

O MCP, sigla de Model Context Protocol, se tornou em pouco mais de um ano o padrão mais adotado para conectar modelos de inteligência artificial a ferramentas e dados corporativos. Em anúncio de 9 de dezembro de 2025, a Anthropic doou o protocolo à Agentic AI Foundation, fundo criado dentro da Linux Foundation, cofundado com Block e OpenAI e apoiado por Google, Microsoft, AWS, Cloudflare e Bloomberg. O mesmo comunicado registra mais de 10 mil servidores públicos ativos e mais de 97 milhões de downloads mensais dos kits de desenvolvimento em Python e TypeScript.

A adoção nas empresas, porém, ainda caminha atrás do reconhecimento do nome. Segundo o State of the API Report 2025, da Postman, cerca de dois terços dos desenvolvedores já conhecem o protocolo, mas apenas 10% o usam com regularidade no dia a dia e 24% pretendem explorá-lo. Na prática, a distância entre conhecer e usar costuma se explicar por uma dúvida concreta: o que exatamente a empresa precisa construir do seu lado?

Essa dúvida faz sentido, porque o protocolo resolve um problema que antes exigia trabalho sob medida a cada combinação. Sem ele, conectar um assistente a um sistema interno significava escrever uma integração específica para aquele assistente, sem reaproveitamento em outros. Com um servidor construído uma vez, a mesma capacidade passa a ser consumida por qualquer cliente compatível.

Neste guia, você vai entender o que é o MCP, como ele funciona, quais são os componentes de um servidor, o passo a passo para criar o seu e os cuidados de segurança antes de expor qualquer sistema em produção. Acompanhe:

O que é MCP (Model Context Protocol)?

O MCP é um protocolo aberto que padroniza como aplicações de inteligência artificial acessam ferramentas, dados e instruções externas. Ele define um vocabulário comum entre quem oferece uma capacidade e quem a consome, de modo que um mesmo servidor atenda a qualquer cliente compatível. A analogia mais usada é a de um conector universal: quando a tomada segue o padrão, qualquer aparelho compatível se liga nela.

Antes desse padrão, cada combinação de assistente e sistema exigia um conector próprio, o que multiplicava o esforço de manutenção. Com o MCP, uma empresa que expõe seu sistema de chamados como servidor passa a atendê-lo a partir de qualquer cliente que fale a mesma língua, incluindo:

  • IDEs com agentes, usadas pelos times de desenvolvimento;
  • Assistentes de conversa usados pelas áreas de negócio;
  • Agentes de IA rodando em automações, sem interação direta com uma pessoa.

Como funciona o MCP?

O MCP funciona em uma arquitetura de três papéis: o host, que é a aplicação onde o modelo roda; o cliente, que o host cria para cada conexão; e o servidor, que expõe as capacidades. A comunicação usa mensagens no formato JSON-RPC e admite dois transportes principais: a entrada e saída padrão de um processo local e o HTTP com resposta em fluxo, usado em servidores remotos. Na prática, uma chamada segue quatro passos:

  • O host apresenta ao modelo a lista de ferramentas disponíveis nos servidores conectados;
  • O modelo escolhe qual ferramenta usar e com quais argumentos;
  • O cliente encaminha a chamada ao servidor, que executa a ação;
  • O resultado volta ao modelo, que o usa para compor a resposta.

O detalhamento desse fluxo dentro de uma IDE pode ser acessado no conteúdo sobre Kiro MCP e integração de ferramentas.

MCP é a mesma coisa que uma API?

Não, são camadas diferentes e complementares. Uma API é a interface do sistema, pensada para ser consumida por outro software mediante código escrito por uma pessoa, enquanto um servidor MCP descreve as capacidades em linguagem que o modelo interpreta sozinho, incluindo quando usar cada uma e quais argumentos ela espera. Veja as diferenças:

Critério API Servidor MCP
Quem consome Software escrito por uma pessoa desenvolvedora Modelo de IA, por meio de um cliente compatível
Como a capacidade é descrita Documentação técnica e contrato da interface Nome, descrição em linguagem natural e tipos dos parâmetros
Quem decide a chamada O código que integra os sistemas O modelo, a aplicação ou o usuário, conforme o tipo de capacidade
Relação entre os dois Base da integração Camada que traduz a API para o protocolo

Na maioria dos casos, o servidor MCP embrulha a API existente e preserva as regras de autorização que ela já aplica. O contexto mais amplo sobre conexão entre sistemas está no guia de Kiro MCP e integração de ferramentas.

Quais são os componentes de um servidor MCP?

Um servidor MCP expõe três tipos de capacidade (ferramentas, recursos e modelos de instrução), e cada um tem um controlador diferente. Entender essa divisão evita o erro mais comum de quem começa, que é tentar transformar muitas capacidades em ferramenta. Veja como elas se diferenciam:

Componente O que expõe Quem decide o uso Exemplo
Ferramentas (tools) Ações executáveis O modelo Abrir um chamado na central de atendimento
Recursos (resources) Dados para leitura A aplicação Conteúdo de um documento interno
Modelos de instrução (prompts) Roteiros prontos de pedido O usuário Roteiro de revisão de código

Ferramentas

As ferramentas são ações que o modelo pode executar por conta própria, como criar um registro, consultar um sistema ou disparar uma integração. Por terem efeito muito claro e real, são o componente que mais exige cuidado com permissões e com descrições precisas.

Recursos

Os recursos entregam dados para leitura, como documentos, registros ou arquivos de configuração, e entram no contexto sob controle da aplicação. Uma consulta somente leitura exposta como recurso evita que o modelo a chame a qualquer momento, o que mantém previsível o comportamento do agente.

Modelos de instrução

Os modelos de instrução são roteiros prontos que o usuário escolhe acionar, como um pedido padronizado de revisão de código ou de resumo de incidente. Eles ajudam a padronizar o uso entre pessoas diferentes, sem depender da memória de cada uma.

Como criar um servidor MCP em 5 passos?

Criar um servidor MCP funcional passa por cinco etapas: 1) preparar o ambiente e escolher o kit de desenvolvimento, 2) declarar o servidor e sua identidade, 3) expor a primeira ferramenta, 4) conectar o servidor a um cliente e 5) testar com pedidos reais. A sequência descreve um servidor local, formato adequado para validar a ideia antes de pensar em publicação remota. Explicamos cada etapa:

1. Prepare o ambiente e escolha o kit de desenvolvimento

Escolha entre os kits oficiais em Python e TypeScript, que concentram a maior parte do ecossistema, e prepare um ambiente isolado para o projeto. Trabalhar em ambiente virtual desde o início evita conflito de dependências quando o servidor passar a conviver com outros projetos.

2. Declare o servidor e sua identidade

Crie o arquivo principal instanciando o servidor com um nome descritivo, porque esse nome aparece para o modelo e ajuda na escolha da ferramenta certa. Um servidor chamado “chamados-internos”, por exemplo, comunica muito mais do que um chamado “servidor1”, o que afeta diretamente a taxa de acerto do agente.

3. Exponha a primeira ferramenta

Registre uma função como ferramenta, com nome claro, descrição em linguagem natural e tipos declarados nos parâmetros. Como a descrição é o texto que o modelo lê para decidir se aquela ferramenta é adequada, vale escrevê-la pensando em quem vai interpretá-la.

4. Conecte o servidor a um cliente

Registre o servidor no arquivo de configuração do cliente escolhido, informando o comando que o inicia e as variáveis de ambiente necessárias. IDEs com agentes e assistentes instalados no computador leem esse arquivo na inicialização e passam a listar as ferramentas disponíveis, como mostra o tutorial de configuração do Kiro IDE.

5. Teste com pedidos e ajuste a descrição

Peça ao agente uma tarefa que exija a ferramenta e observe se ele a escolhe sozinho e com os argumentos certos. Quando ele erra, a causa costuma estar na descrição ou nos tipos declarados, e ajustar esse texto é o trabalho que mais melhora o resultado.

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Quais os cuidados de segurança em um servidor MCP?

Os cuidados de segurança em um servidor MCP partem do fato de que ele dá a um modelo a capacidade de executar ações reais, como alterar dados, disparar integrações e consumir recursos. Por isso, o desenho de permissões precisa estar pronto antes da primeira publicação. O mesmo relatório da Postman que mencionamos acima aponta que 51% dos desenvolvedores citam o acesso não autorizado de agentes como um dos principais riscos de segurança. Nesse sentido, quatro controles resolvem a maior parte do risco em ambiente corporativo:

  • Menor privilégio por servidor: cada servidor recebe credencial própria, restrita às operações que realmente precisa executar;
  • Confirmação humana em ações destrutivas: exclusão, envio externo e movimentação financeira pedem aprovação explícita antes da execução;
  • Validação de entrada no servidor: argumentos vindos do modelo são tratados como entrada não confiável e validados antes do uso;
  • Registro de auditoria: qual ferramenta foi chamada, por qual cliente, com quais argumentos e com qual resultado.

Há ainda um risco específico desse tipo de arquitetura: instruções maliciosas embutidas em conteúdo que o agente lê podem tentar induzi-lo a chamar ferramentas indevidas, técnica conhecida como prompt injection. Por isso, a defesa central é tratar todo conteúdo externo como dado a ser analisado, sem permissão para disparar ações, tema aprofundado no conteúdo sobre segurança em IA.

Qual a importância do MCP para a minha empresa?

O MCP reduz o custo de conectar a inteligência artificial aos sistemas da empresa, porque cada integração passa a ser construída uma única vez e reaproveitada por diferentes clientes. Um sistema de chamados exposto como servidor atende ao assistente do time de suporte, à IDE dos desenvolvedores e a uma automação noturna com o mesmo código.

Além disso, a governança neutra sob a Linux Foundation reduz o risco de depender das decisões de um único fabricante. Para empresas que estão estruturando o uso de agentes, o protocolo também concentra permissões e auditoria em um ponto conhecido, base de uma governança de IA consistente.

Servidores MCP com a UDS

Expor sistemas internos a agentes exige desenho de permissões, validação de entrada e auditoria desde o primeiro servidor. A UDS Tecnologia atua há 23 anos, é AWS Advanced Consulting Partner e mantém certificações ISO 27001 e PCI DSS, credenciais que sustentam esse tipo de projeto em ambientes com dados sensíveis. A aplicação dessas práticas no dia a dia da engenharia aparece no relato sobre como a UDS usa o Kiro em projetos.

A experiência com inteligência artificial aplicada também aparece em entregas com resultado medido. No case da Utreino, a automação do fluxo de pós-produção com Amazon Bedrock, SageMaker e Lambda levou o tagueamento de vídeos de 6 horas para 20 minutos, com 91% de acurácia média na associação de tags.

Quem quer estruturar uma camada de agentes pode conhecer os serviços de IA generativa para empresas e a atuação da UDS Tecnologia.

Perguntas frequentes sobre MCP

O que significa MCP?

MCP é a sigla de Model Context Protocol, que em português seria algo como protocolo de contexto de modelo. Desde dezembro de 2025, ele é mantido sob a Agentic AI Foundation, na Linux Foundation, com governança compartilhada entre vários fabricantes.

Quem criou o Model Context Protocol?

O protocolo foi criado pela Anthropic e apresentado como padrão aberto em novembro de 2024. Com a doação à Linux Foundation, a evolução da especificação passou a ser conduzida em um ambiente neutro, com participação de outras empresas do setor.

Preciso saber programar para usar um servidor MCP?

Para apenas consumir servidores prontos, basta configurar o cliente, o que normalmente envolve editar um arquivo de configuração. Para criar um servidor próprio, é necessário programar, ainda que os kits oficiais reduzam bastante o esforço.

Qual a diferença entre servidor local e remoto?

O servidor local roda na máquina do usuário e se comunica pela entrada e saída padrão do processo, o que simplifica o desenvolvimento. O remoto é acessado por HTTP e atende vários usuários, o que exige autenticação, controle de acesso e monitoramento próprios.

Em que linguagens dá para escrever um servidor?

Existem kits oficiais nas principais linguagens de programação, com Python e TypeScript concentrando a maior parte do uso. A escolha costuma seguir a linguagem que o time já domina, já que o protocolo não impõe preferência.

Servidores MCP funcionam com qualquer modelo de IA?

Funcionam com qualquer aplicação cliente que implemente o protocolo, e a lista já inclui IDEs, assistentes de conversa e ferramentas de linha de comando de fabricantes diferentes. Por isso, a compatibilidade é definida pelo cliente, independentemente do modelo que ele usa por trás.

O que é um cliente MCP?

É o componente, dentro da aplicação de IA, que mantém a conexão com um servidor específico e encaminha as chamadas do modelo. Cada servidor conectado recebe um cliente próprio, o que isola as conexões entre si.

Como controlar o custo de um agente de IA que usa ferramentas?

O consumo cresce com o número de chamadas e com o tamanho do conteúdo devolvido por cada ferramenta. Limitar o volume de dados retornado e evitar ferramentas redundantes reduz tanto o custo quanto a chance de o modelo escolher a opção errada.

Quantas ferramentas um servidor deve expor?

Servidores com muitas ferramentas parecidas tendem a confundir o modelo na hora da escolha. A prática que funciona melhor é agrupar por domínio, com nomes e descrições bem distintos, e dividir as operações em servidores separados quando o volume cresce.

Dá para usar servidores prontos em vez de criar o meu?

Dá, e o ecossistema público já cobre bancos de dados, repositórios de código e serviços de nuvem. Em ambiente corporativo, vale auditar o código e as permissões de qualquer servidor de terceiro antes de conectá-lo a dados internos.

O protocolo pode mudar e quebrar meu servidor?

O protocolo tem versionamento, e a governança compartilhada entre vários fabricantes reduz o risco de mudanças unilaterais. Ainda assim, fixar a versão do kit de desenvolvimento no projeto e acompanhar as notas de versão é a prática recomendada.

Gabriela Cerri

Analista de Inbound Marketing com foco em SEO, estratégia de conteúdo e geração de demanda. Atua na criação e otimização de conteúdos orientados a dados, conectando tráfego orgânico a oportunidades reais de negócio.

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