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Neste post

Sites clones na Black Friday: como proteger sua marca

Sites clones enganam consumidores na Black Friday. Saiba como identificar, denunciar e proteger a marca da sua empresa contra esse tipo de fraude digital agora.
  • Gabriela Cerri
  • 22 de setembro de 2026
  • Cloud & DevOps

A Black Friday movimenta bilhões de reais em vendas online no Brasil em poucos dias, e esse volume de tráfego e de transações atrai também quem não vende nada de verdade. Segundo levantamento da ZenoX, startup do Grupo Dfense especializada em segurança digital, 4 em cada 10 sites clones identificados no período da Black Friday de 2025 usaram inteligência artificial para montar páginas quase idênticas às de grandes varejistas. O mesmo levantamento identificou 18 mil domínios maliciosos associados à data entre outubro e novembro de 2025, dos quais 899 seguiam ativos em infraestrutura dormente, prontos para entrar em operação assim que as buscas por promoções aumentassem.

Para quem vende online, esse cenário pode representar um risco à reputação da marca e, claro, ao bolso do consumidor. Isso porque um site clone bem-feito replica a paleta de cores, o logotipo, a fonte e até o layout do checkout da loja original, e o consumidor lesado costuma associar o prejuízo ao nome da marca copiada, mesmo sem nenhuma responsabilidade da empresa verdadeira sobre o golpe. A projeção da Neotrust apontava faturamento de R$ 11 bilhões para o e-commerce brasileiro na Black Friday de 2025, um crescimento de 17% frente ao ano anterior, o que mostra por que o volume de fraudes por sites clones tende a crescer na mesma proporção do interesse de compra.

Vale ressaltar, ainda, que cada site clone ativo durante a Black Friday representa potenciais reclamações em órgão de defesa do consumidor, disputa de chargeback com operadoras de cartão e, em boa parte dos casos, menção direta à marca copiada nas redes sociais dos compradores enganados. Por isso, entender como esses sites clones são criados, como identificá-los rapidamente e quais medidas técnicas reduzem esses riscos pode ser essencial para uma boa performance nesta data. Te explicamos detalhes de como fazer isso a seguir:

O que são sites clones e por que aparecem tanto na Black Friday?

Sites clones são páginas fraudulentas que copiam a identidade visual, o domínio (com pequenas variações) e o catálogo de uma loja verdadeira para simular uma compra legítima e coletar dados de cartão ou pagamentos via Pix sem entregar produto algum. Eles proliferam na Black Friday porque a data concentra, em poucos dias, o volume de buscas que normalmente se distribui ao longo do mês: com isso, o golpista aposta que o consumidor, pressionado pelo preço e pelo prazo da promoção, vai pular etapas de verificação que faria em uma compra comum.

A criação desses sites clones ficou mais rápida com o uso de inteligência artificial generativa para:

  • Copiar código-font;
  • Gerar textos de produto plausíveis;
  • Simular selos de segurança falsos. 

O custo de montar um clone novo a cada campanha diminuiu bastante, o que explica o número alto de domínios registrados especificamente para a data e descartados logo depois.

Quais medidas reduzem o número de sites clones de uma marca?

O conjunto mais eficaz de medidas técnicas para evitar sites clones na Black Friday precisa combinar o monitoramento contínuo de domínios parecidos, um Web Application Firewall (WAF) ativo na loja oficial e um plano de resposta rápida para pedir a derrubada (takedown) de páginas clonadas assim que identificadas. Vale ressaltar que nenhuma dessas frentes funciona sozinha:

  1. O  monitoramento: avisa cedo sobre a existência de problemas e sites clonados.
  2. O WAF: protege a própria operação de tentativas de raspagem de conteúdo;
  3. O takedown: reduz o tempo de vida do site clone no ar.

Empresas que já hospedam a operação em nuvem com proteção contra ataques DDoS e WAF configurado corretamente partem na frente, porque parte da infraestrutura de defesa contra sites clones se sobrepõe à infraestrutura de defesa contra outros tipos de ataque de pico, comum justamente no período de Black Friday. Veja mais detalhes sobre essas medidas:

Medida O que faz Quando aplicar
Monitoramento de domínio Alerta sobre registros parecidos com a marca O ano inteiro, reforçado 60 dias antes da Black Friday
WAF na loja oficial Bloqueia raspagem de layout e conteúdo Antes de qualquer campanha de tráfego pago
Takedown de domínio Solicita a remoção do site clone junto ao registrador Assim que o clone for identificado
Selo de verificação visível Ajuda o consumidor a reconhecer o canal oficial Fixo no rodapé e nas páginas de checkout

Leia também: Cibersegurança para empresas: estratégias e pilares em 2026

Como identificar um site clone?

Um site clone costuma ser identificado por três sinais combinados: domínio com grafia levemente diferente da marca original, ausência de cadeado de segurança (HTTPS) válido no navegador e preços muito abaixo da média de mercado para o mesmo produto. É importante citarmos que nenhum desses sinais isolado é uma prova certeira de fraude. Porém, a combinação de dois ou mais costuma indicar risco alto.

Vale conferir também o CNPJ informado no rodapé do site (e cruzar com dados disponíveis no site da Receita Federal), a existência de canais de atendimento reais e se o domínio aparece em buscas anteriores à campanha atual. Sites clones criados para uma única Black Friday raramente têm histórico de indexação anterior ao mês da campanha. Abaixo, reunimos um checklist do que é válido observar:

  • Domínio parecido (e não idêntico), com letras trocadas, hífens extras ou terminação diferente (.shop, .store, .xyz no lugar de .com.br)
  • Cadeado de segurança ausente ou certificado emitido há poucos dias
  • Preço muito abaixo de qualquer concorrente para o mesmo item
  • Pagamento restrito a Pix ou boleto, sem opção de cartão com antifraude
  • Redes sociais recém-criadas, com poucos seguidores e comentários bloqueados.

Você também pode gostar de entender melhor sobre ciberataques por encomenda e por que eles aumentaram tanto nos últimos anos: clique aqui e leia o artigo completo.

O que fazer quando um site clone da marca é encontrado?

Ao encontrar um site clone da marca, a prioridade é preservar as evidências, identificar os responsáveis pela hospedagem e pelo domínio e solicitar a suspensão do conteúdo, enquanto a empresa alerta seus clientes pelos canais oficiais. O processo deve seguir uma sequência clara para evitar que o site continue sendo usado para enganar consumidores enquanto as medidas são tomadas:

  1. Confirme que o site é realmente um clone

    Compare o endereço, identidade visual, textos, logotipo, produtos e formas de contato com os canais oficiais da marca. Verifique também se há diferenças no domínio ou informações suspeitas, como preços muito abaixo dos praticados pela empresa.

  2. Registre as evidências

    Faça capturas de tela das páginas, do endereço completo do site, dos produtos ou serviços anunciados, dos dados de contato e de qualquer informação que possa comprovar a tentativa de se passar pela marca de maneira fraudulenta. Sempre que possível, registre também a data e o horário da identificação.

  3. Identifique o registrador e a hospedagem

    Descubra qual empresa registrou o domínio e qual serviço está hospedando o site. Esses provedores normalmente possuem canais específicos para receber denúncias de abuso, fraude, violação de marca ou conteúdo malicioso.

  4. Solicite a suspensão

    Envie a denúncia aos provedores responsáveis, anexando as evidências coletadas e explicando de forma objetiva como o site está utilizando a identidade da marca ou tentando se passar por ela. Lembre-se que quanto mais completa for a documentação, mais fácil será para o provedor avaliar o caso.

  5. Acione as áreas responsáveis internamente

    É muito importante reunir áreas que possam compartilhar suas visões sobre o ocorrido, como Marketing, TI, jurídico e atendimento. Além disso, é importante que o time que identificou o clone tenha um fluxo definido para encaminhar rapidamente a ocorrência, sem depender de várias aprovações antes de iniciar as medidas de contenção.

  6. Avise os clientes pelos canais oficiais

    Se houver risco de consumidores acessarem o site falso, publique um alerta nos canais oficiais da empresa, buscando informar quais são os domínios legítimos e orientar os clientes a não fornecer dados pessoais, credenciais ou informações de pagamento no endereço suspeito.

  7. Monitore novos domínios e cópias

    Depois da denúncia, continue acompanhando buscas pela marca, anúncios, redes sociais e registros de novos domínios semelhantes. A retirada de um site não impede que os responsáveis criem outra cópia usando um endereço diferente.

O golpe do site clone é o mesmo que phishing?

Não exatamente. O site clone é a página fraudulenta criada para imitar uma empresa ou serviço, enquanto phishing é a técnica usada para enganar a vítima e induzi-la a fornecer informações ou realizar uma ação. Os dois podem fazer parte do mesmo golpe: uma mensagem de phishing, por exemplo, pode direcionar o usuário para um site clone que coleta seus dados. Nesse caso, a mensagem cria a sensação de legitimidade e o site fraudulento dá continuidade ao golpe. Explicamos melhor sobre cada um:

  • Site clone: é uma página que reproduz a identidade visual, o domínio ou elementos de um site legítimo para parecer verdadeira. O objetivo pode ser coletar dados, credenciais, informações de pagamento ou induzir uma compra;
  • Phishing: é uma técnica de engenharia social que utiliza mensagens, e-mails, SMS, anúncios ou outros canais para criar uma situação falsa e induzir a vítima a clicar em um link, fornecer informações ou realizar uma ação.

Sites clones e proteção de marca com a UDS

A UDS Tecnologia, com 23 anos de mercado e certificação AWS Advanced Consulting Partner, estrutura a infraestrutura de clientes do varejo para operar com segurança em períodos de pico como a Black Friday, unindo WAF, mitigação de DDoS e monitoramento contínuo na mesma operação de nuvem. Foi assim no case da Monjuá, em que a UDS fortaleceu a cibersegurança da operação em nuvem do cliente como parte de um projeto mais amplo de consultoria.

Empresas que já usam os serviços de segurança em cloud da UDS têm mais facilidade para combinar a defesa contra sites clones com as demais frentes de proteção de infraestrutura, porque parte do monitoramento e da resposta a incidentes já está integrada à operação. A UDS também documenta esse tipo de preparação de pico em conteúdos como hardening de infraestrutura para vendas de fim de ano e na página institucional da UDS Tecnologia.

Perguntas frequentes sobre sites clones na Black Friday

Como saber se uma loja online é falsa?

Verifique o domínio completo (não só o nome que aparece no anúncio), o cadeado de segurança do navegador, o CNPJ no rodapé e a existência de avaliações e histórico anterior à campanha atual. Sites recém-criados, sem histórico e com preços muito abaixo do mercado, merecem desconfiança extra.

Como saber se um site é clonado?

Compare o endereço completo do domínio com o site oficial já conhecido, letra por letra, e desconfie de qualquer variação, ainda que pequena. Ferramentas de verificação de certificado SSL e a busca pelo CNPJ da loja em sites oficiais de consulta também ajudam a confirmar se um site é clonado antes de finalizar a compra.

Como denunciar uma loja online falsa?

A denúncia pode ser feita ao registrador do domínio, à hospedagem do site, às plataformas de pagamento usadas no golpe e a órgãos de defesa do consumidor como Procon e plataformas de queixa. Prints da página, do checkout e do comprovante de pagamento agilizam a análise.

Como denunciar uma loja falsa no Instagram ou em outra rede social?

A maioria das redes sociais tem opção de denúncia direta no perfil do anúncio ou da loja, geralmente em “denunciar perfil” ou “denunciar conta falsa”. Vale denunciar também o anúncio específico, quando o golpe chegou até a vítima por mídia paga, já que isso costuma acelerar a remoção pela própria plataforma.

Um selo de segurança falso no rodapé engana o consumidor?

Sim, e é um dos recursos mais usados por sites clones para parecer confiáveis. Selos genéricos, sem link para um verificador real ou com nome de certificadora inventado, são um sinal de alerta tão relevante quanto o domínio errado ou a ausência de HTTPS.

Quanto tempo um site clone costuma ficar no ar?

Não existe um prazo fixo, mas levantamentos do setor mostram que boa parte dos domínios criados especificamente para uma campanha como a Black Friday permanece ativa poucas semanas, incluindo período de preparação anterior à data e descarte logo depois, quando o interesse de busca cai.

O WAF impede sites clones de existir?

Não diretamente. O WAF (Web Application Firewall) protege a loja oficial contra tentativas de raspagem de conteúdo, ataques automatizados e exploração de vulnerabilidades, o que dificulta a cópia do código-fonte usado para montar um site clone, mas não impede que o golpista registre um domínio parecido e construa a página do zero.

Como o CDN ajuda a diferenciar o site oficial de um clone?

Um CDN bem configurado reduz o tempo de carregamento da loja oficial mesmo em pico de acesso, o que é um sinal indireto de confiabilidade para o consumidor, já que sites clones criados às pressas raramente têm a mesma estrutura de performance da loja verdadeira.

Denunciar um site clone tem custo para a empresa?

A notificação ao registrador do domínio e à hospedagem geralmente não tem custo direto. Casos que avançam para disputa judicial de marca registrada podem envolver custo jurídico, mas a maior parte dos takedowns de sites clones é resolvida na esfera administrativa, sem chegar a esse ponto.

Como preparar a infraestrutura da loja para reduzir o risco de sites clones na próxima Black Friday?

O planejamento inclui monitoramento de domínio ativo o ano inteiro, WAF e mitigação de DDoS configurados antes do início da campanha, um fluxo interno definido de resposta a incidentes e comunicação oficial preparada para avisar o consumidor rapidamente caso um site clone seja identificado durante o período de maior tráfego.

Gabriela Cerri

Analista de Inbound Marketing com foco em SEO, estratégia de conteúdo e geração de demanda. Atua na criação e otimização de conteúdos orientados a dados, conectando tráfego orgânico a oportunidades reais de negócio.
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